OFICINAS DE CERÂMICA GUARANI SÃO REALIZADAS EM ESCOLAS NA REGIÃO DO CONTORNO RODOVIÁRIO DE FLORIANÓPOLIS

OFICINAS DE CERÂMICA GUARANI SÃO REALIZADAS EM ESCOLAS NA REGIÃO DO CONTORNO RODOVIÁRIO DE FLORIANÓPOLIS

Atividade é parte do Programa de Educação Patrimonial e ocorre em paralelo ao Programa de Monitoramento Arqueológico na região das obras

Cerca de 340 estudantes, de 6º ao 9º ano da rede municipal de ensino do municípios de Governador Celso Ramos, Biguaçu, São José e Palhoça, participaram das “Oficinas de Cerâmica Guarani”, ministradas pelo educador patrimonial Cauê Cristiano Cardoso, com apoio da profissional de comunicação Raquel Schwengber, a cientista social Tade Ane de Amorim e o historiador Rodrigo Pereira Vieira.

O Programa de Educação Patrimonial ocorre no decorrer de toda a obra do Contorno Rodoviário de Florianópolis, em paralelo com os estudos arqueológicos. E mais que isso, é responsabilidade social assumida pela Arteris, como forma de colocar os estudantes da região em contato com os saberes que fazem parte da cultura local pretérita.

Na oficina, os alunos aprenderam, passo a passo, a confecção de potes feitos de argila, utilizando técnicas idênticas às das cerâmicas produzidas pelos “Guarani”, obtidas pela arqueologia experimental – método de estudo que visa produzir resultados técnicos com base na reprodução de gestos e objetos, testando matérias-primas e processos de produção.

Através da “gestualidade guarani”, a vivência objetivou trabalhar, de forma lúdica, um dos saberes de um povo originário, a fim de desconstruir preconceitos étnicos.

A princípio, realizou-se aula expositiva, com apresentação de slides, para ilustrar a explanação, e argila hidratada para demonstrar o manuseio da pasta cerâmica. Tais ferramentas educativas foram aplicadas com o intuito de mostrar aos alunos todas as fases de produção da cerâmica Guarani. Explicou-se desde a extração da argila e sua manipulação às diferentes técnicas de confecção e decoração e, por fim, secagem e queima do material. Infelizmente, não foi possível realizar a última fase do processo, como teria sido feito originalmente, pois isso dependeria de volumosa fogueira – inviável nas escolas.

Como alternativa, apresentou-se a solução de secagem total das peças, em locais abrigados do sol e do vento, para evitar que rachassem –  processo que pode variar de vinte a trinta dias. Depois, o material produzido pelos estudantes foi pintado com guaxe e envernizado com cola branca à base de água. Dessa forma, não se obtiveram potes cerâmicos, mas, sim, peças de argila seca com boa durabilidade.